DOM MAURO CRITICA A ECONOMIA

Em visita aos focos de miséria em São José dos Campos (SP), o presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar, dom Mauro Morelli, disse ontem que o país encontrará o caminho para a democracia e a paz social quando voltar-se para o problema dos menores carentes. Ele disse que, em setembro, o Conselho pretende checar o grau de desnutrição das crianças brasileiras, de zero a 10 anos, através de pesagem e medição. "Estamos jogando nossas crianças nos lixos das grandes cidades para que se alimentem e pensem que são bichos". Dom Mauro culpou o modelo de desenvolvimento econômico do Brasil pela atual situação social do país. Ele falou sobre a centralização do poder, que estimula a corrupção e o desperdício. Para dom Mauro, somente um grande acordo pluralista poderá amenizar a fome que afeta um número de pessoas bem superior aos 32 milhões estipulados inicialmente. "Se analisarmos todo o conjunto miserável da sociedade teremos, com certeza, mais de 100 milhões de brasileiros famintos", afirmou. A estrutura administrativa do Estado foi o principal alvo das críticas de dom Mauro. Para ele, o Brasil vive sob uma acentuada ditadura econômica atualmente combatida pelo movimento contra a fome, quando se tenta resgatar a cidadania, sem assistencialismo ou paternalismo, e levar o país para longe do arbítrio. "O Estado funciona para uma minoria, não correspondendo às expectativas da população. A miséria inviabiliza a democracia", afirmou (JC).