MISÉRIA ATINGE 40% DAS CRIANÇAS EM SÃO PAULO

Cerca de 40% das crianças e adolescentes paulistanos habitam as regiões mais pobres da cidade, localizadas nos extremos periféricos. Isso representa uma população de 1,4 milhão de crianças e adolescentes até 18 anos vivendo em condições próximas da miséria absoluta, sem água tratada, rede de esgotos, sem acesso a creches, escolas ou outros serviços públicos. Outros 30,1% vivem em condições de médio ou baixo padrão de qualidade. Moram em bairros de periferia, de classe média ou média-baixa que em alguns pontos englobam bolsões de pobreza. Já os 32,3% restantes são as crianças de classes média, média-alta e alta, de regiões que possuem infra-estrutura básica, no centro e a sudoeste da capital. Esses dados, apresentados ontem, contam da pesquisa que traça o perfil da criança e do adolescente paulistanos, feita pelo Centro Brasileiro para a Infância e Adolescência (CBIA), em convênio com o Instituto Lidas. Constatamos que houve um processo de encortiçamento em vários pontos
74980 inclusive centrais da cidade, e outro de favelização nos bairros novos da
74980 periferia, disse o economista Raul Carvalho, do Instituto Lidas. Isso fez os responsáveis pela pesquisa concluírem que o Estatuto da Criança e do Adolescente não está sendo cumprido em São Paulo. No artigo 1o., o Estatuto garante a toda criança ou adolescente o direito a uma vida digna, com educação, saúde, alimentação, cultura e lazer. Mas de acordo com a pesquisa, 61,3% das crianças do município na faixa de quatro a seis anos, ou 443.521 delas, estão fora das Escolas Municipais de Educação Infantil. Na faixa dos sete a 14 anos, 345 mil (18% do total) estão fora das escolas de 1o. Grau (O ESP).