O Estado da Bahia, que viveu os anos dourados do cacau quando a população mais pobre contava com a boa vontade dos coronéis, tem hoje 4.331.260 pessoas passando fome, sendo que 58% do total são crianças e adolescentes na faixa etária de zero a 17 anos. Estas pessoas estão concentradas em 81 dos 415 municípios baianos, onde metade da população vive em estado absoluto de miséria, e representam 37,58% dos 11.525.878 habitantes do estado. Os números revelam que 13,67% do total de 32 milhões de indigentes do país vivem na Bahia. Os dados fazem parte de uma pesquisa, intitulada "O Mapa da Fome na Bahia", realizada, desde maio, pelo deputado estadual Edival Passos (PT) nos 415 municípios baianos. Ele partiu dos dados fornecidos pelo IPEA, que colocou o estado como recordista em número de indigentes. "Enquanto São Paulo tem 5,56% de indigentes em relação ao total da sua população, a Bahia tem quase seis vezes mais, com uma população bem menor. O quadro é dramático e não é diferente do que acontece na Etiópia e Somália", afirmou o deputado. O município que tem maior número de indigentes é Cristópolis, onde 57,91% da população (12.401 habitantes) passa fome. A pequena cidade fica no Oeste baiano, região rica em soja. O Litoral Sul da Bahia aparece com a maior concentração: 532.485 pessoas passam fome, o que corresponde a 12,29% da indigência total da Bahia (37,58%) (JB).