TRANSNACIONAIS AMPLIAM INVESTIMENTOS

As companhias transnacionais se transformaram na principal força de integração da economia mundial e aproximadamente um terço de todo o capital privado produtivo internacional está hoje sob o domínio dessas gigantescas empresas. Uma pesquisa realizada pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), e divulgado hoje em todo o mundo, analisa o papel das empresas transnacionais como os principais agentes de investimentos diretos, tanto em nações em desenvolvimento como nos países desenvolvidos, e mostra como elas estão contribuindo para a emergência de um sistema integrado de produção mundial. Há apenas duas décadas havia sete mil companhias transnacionais, no
74970 início dos anos 90 elas já somavam 37 mil com aproximadamente 170 mil
74970 filiais espalhadas por todos os países, afirma o relatório da UNCTAD. Segundo o documento, o conjunto dessas companhias controlam um estoque de investimentos diretos que chegou, em fins de 1992, a US$2 trilhões. "Um terço desse capital está em mãos das 100 maiores transnacionais". A UNCTAD estima que as transnacionais movimentem um volume anual de vendas de seus produtos e serviços de US$5,5 trilhões: "A magnitude desse volume de recursos pode ser compreendida quando a comparamos com o valor total das exportações mundiais de mercadorias que chegam a US$4 trilhões". Com a recessão no mundo desenvolvido, os investimentos realizados pelas transnacionais caíram drasticamente nos últimos dois anos. Chegaram a US$150 bilhões em 1992, contra quase US$240 bilhões em 1990. As perspectivas de médio prazo, contudo, se se confirmar a recuperação nas nações do Primeiro Mundo, é de o fluxo de capital para as nações em desenvolvimento se duplicar até o ano 2000. O fluxo de investimento direto das transnacionais nos países em desenvolvimento chegou a US$40 bilhões em 1992. Desse total, os países asiáticos, principalmente os chamados "tigres", atraíram cerca de US$21 bilhões. Nações da América Latina e Caribe vêm atrás com US$16 bilhões (US$9 bilhões em meados da década de 80). A África, onde estão os países mais pobres do mundo, foi a única região que mostrou declínio: de US$3 bilhões para US$2 bilhões. Das 100 maiores transnacionais, a que mais possui investimentos no exterior é a Royal Dutch Shell (anglo-holandesa), com ativos avaliados em US$69 bilhões. Ela é seguida pela Ford, General Motors, Exxon e IBM (norte- americanas) (O ESP).