ÍNDIOS ATACAM MADEIREIRA NO PARÁ

Um grupo de 30 índios Parakanãs atacou e danificou máquinas e instalações de uma empresa de extração de mogno no Município de Tucumã, 660 km ao sul de Belém (PA). O incidente ocorreu no início de junho na reserva de Arawaté, demarcada em 1992 pela União mas que tem suas linhas de demarcação contestadas, na Justiça, pela madeireira Perachi, instalada na região, segundo seus proprietários, desde 1985. Os índios provocaram danos apenas materiais e prometeram voltar à carga no último dia 13 caso a área de extração continuasse ocupada pelos brancos. A ameaça não se concretizou. O NDI (Núcleo de Direito Indígena) recebeu informações de que galpões da Perachi foram abandonados, enquanto a empresa negava, em Belém, ter retirado os empregados. O incidente é de certa forma atípico numa região em que índios de outras reservas, como os Caiapós, fizeram acordos com grupos interessados na extração do mogno, em troca de benfeitorias para a reserva. Os Parakanãs rejeitam a exploração das riquezas de suas terras e deram procuração ao NDI para que os defenda judicialmente contra invasores. São contraditórias as informações sobre a disputa desencadeada. A Perachi, que é um dos três maiores exportadores de mogno do Pará (ela retira mais de 14 mil metros cúbicos por ano), diz ter comprado uma área de cinco mil hectares na qual plantou 150 mil mudas daquela árvore e iniciou a criação de 1.500 cabeças de gado. O NDI, no entanto, diz que a empresa não tem respeitado os limites de sua propriedade, e com outras madeireiras, operam numa malha de mais de 500 km de trilhas abertas em reservas indígenas para que caminhões escoem as toras derrubadas (FSP).