DELEGADO QUER CAMPANHA ANTILINCHAMENTO NO RIO DE JANEIRO

O delegado-titular da 22a. Delegacia de Polícia (Penha, zona norte do Rio de Janeiro, capital), Otelo de Oliveira, sugeriu ontem que a Igreja dê início a uma campanha contra a onda de linchamentos na cidade. Oliveira é responsável pela investigação do linchamento de três jovens no último dia três, em Olaria (zona norte). Em apenas duas semanas, a fúria de grupos anônimos assassinou cinco pessoas nas zonas norte e oeste da cidade. Cláudio Pereira da Silva, 15 anos, Carlos Henrique Aguiar dos Santos, 19 anos, e Marcos Viturino Costa dos Santos, 19 anos, foram espancados e queimados vivos por uma multidão-- os cálculos variam de 50 a 500 pessoas. Os assassinos estavam convencidos de que puniam três assaltantes de um ônibus. A polícia descobriu, porém, que eles não assaltaram ninguém. Os rapazes sequer tinham antecedentes criminais. Na Cidade de Deus (zona oeste), um homem não-identificado, de aproximadamente 40 anos, acusado de tentar estuprar uma garota de 13 anos, foi linchado por cerca de 100 pessoas. Em Pilares (zona norte), outro homem não-identificado, aparentando 50 anos, foi linchado. Ele era acusado de tentar arrombar uma casa. Para o delegado Oliveira, além da atuação da Igreja, a onde de violência deve ser contida com um trabalho rigoroso da polícia e da Justiça. "O martelo da Justiça tem de ser rápido. As pessoas vão pensar duas vezes ao verem linchadores na prisão", disse. Aproximadamente seis mil pessoas, na cidade de Ipú (CE), protagonizaram o caso de linchamento mais violento já registrado no estado. Foi no dia 20 de junho último. Armadas de paus, pedras e picaretas, elas lincharam o agricultor Francisco de Assis Ramos Araújo, 27 anos. Ele era acusado de ter assassinado a facadas Maria Paiva de Oliveira, 25 anos, e sua filha, Francisca Jocilene Paiva, 10 anos, após tentar violentar sexualmente as duas. A multidão furou o bloqueio policial e depredou a cadeia antes de linchar o agricultor (FSP).