O presidente Itamar Franco decidiu vetar a política salarial proposta pelo Congresso Nacional, de reajuste integral mensal da inflação passada. Ao mesmo tempo convocou empresários e trabalhadores para uma reunião amanhã, para discutir com o governo uma "política salarial de emergência" e medidas de maior profundidade para combater a inflação com melhor distribuição de renda e crescimento econômico. Uma nova tentativa de entendimento tripartite-- governo, trabalhadores e emepresários-- em torno de uma agenda de reformas. Esse foi o resultado da reunião ministerial com lideranças sindicais e empresariais, no Palácio do Planalto, ontem. Os dirigentes das centrais sindicais, com exceção do presidente da Força Sindical, Luiz Antônio de Medeiros, pediram ao presidente Itamar para sancionar a lei do reajuste integral mensal. Medeiros propôs: "Nesse dez dias (prazo legal para o veto ou sanção da lei), a Nação deve ser desafiada a negociar com o ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso". O ministro da Fazenda fez um enfático pronunciamento contra o projeto de reajuste integral, expôs seus motivos-- paralisa o esforço de equilíbrio das contas públicas e acelera a inflação. Propôs uma negociação tripartite para, em dois meses, obeter uma convergência em torno de medidas estruturais de combate à inflação, prazo que coincide com o início da revisão constitucional. Ao contrário dos sindicalistas, os empresários não definiram o que querem exatamente da nova política salarial. O presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), senador Albano Franco, falou pouco e genericamente. Defendeu a votação de um projeto, em tramitação na Câmara, que regulamenta a participação dos trabalhadores nos lucros das empresas, mas nada falou sobre os 100% aprovados (GM) (O ESP).