BRASIL PROMETE 26% DE INFLAÇÃO AO FMI

O Brasil volta mais uma vez ao Fundo Monetário Internacional (FMI) em busca de apoio para fechar o acordo de negociação com os bancos privados externos. O secretário de Política Econômica, Winston Fritsch, levará ao FMI na próxima semana uma estimativa de inflação de 26% em dezembro e a difícil promessa de um equilíbrio fiscal para 1994 condicionado à revisão constitucional. A recuperação das receitas da União é um dos pontos principais que Fritsch apresentará ao FMI. O governo conseguiu um ganho real de arrecadação no primeiro semestre deste ano de US$6 bilhões. As projeções indicam que no ano serão arrecadados US$51,2 bilhões. As estimativas anteriores feitas pela equipe do ex-ministro Eliseu Resende indicavam que a União iria conseguir receitas da ordem de US$47 bilhões em 1993. Mesmo com a perspectiva de inflação alta nos próximos seis meses e déficit operacional (exclui correção monetária e cambial) de até 1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 1993, a equipe do ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, aposta em dois trunfos para obter o sinal verde do FMI até setembro. O ajuste fiscal promovido pelo governo, com cortes nos gastos públicos, já apresenta resultados que devem agradar à diretoria do Fundo. Além disso, a equipe avalia que o Brasil conseguiu um importante aliado, que é a comunidade financeira internacional. Os bancos credores já chegaram a um entendimento com o Brasil e têm interesse na assinatura rápida de um acordo com o FMI. Embora o Brasil não tenha conseguido cumprir nenhum dos acordos feitos nos últimos 10 anos com o FMI, o ministro Fernando Henrique Cardoso acha que terá êxito nas negociações com a instituição, mesmo com inflação alta e a interferência da campanha presidencial na revisão constitucional de outubro próximo (FSP).