Responsável há 13 anos por dois milhões de empregos diretos e hoje mantendo apenas cerca de 800 mil, a indústria da construção pesada vive atualmente o seu pior momento. Em 1980, a construção pesada participava com 7% do PIB, com um faturamento de US$21 bilhões; este ano, chegará a US$18 bilhões, ou apenas 4,5% do PIB. "O governo federal poderia pelo menos terminar as obras em fase final de construção e que sejam responsáveis pela geração de grande número de empregos. No entanto, no sétimo mês do ano ainda se discutem os cortes a serem feitos no Orçamento", diz o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Pesada (Sinicon), Tibério Gadelha, que cita a Linha Vermelha, no Rio de Janeiro, como exemplo de obra que deveria estar isenta de cortes. "Trata-se de uma obra já concluída em 80% e que poderia gerar neste momento três mil empregos, para ser finalizada em seis meses. Por que retirar recursos neste caso?". Gadelha citou outros programas que o governo Itamar Franco interrompeu ou inibiu, por estar "muito lento e desentrosado": -- O Programa de Reconstrução Rodoviária, que geraria mais de 120 mil empregos diretos. -- As obras de irrigação no Nordeste, 10 das quais com conclusão iminente e que gerariam entre cinco mil e seis mil empregos e permitiriam o assentamento de 10 mil famílias. -- As obras do setor energético, incluídas as de diversas hidrelétricas, como Tucuruí, Xingó e Samuel, em Rondônia (JC).