A maior e mais produtiva de todas as reuniões anuais da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), desde o primeiro encontro, em 1949, foi encerrada ontem, no Recife (PE). A 45a. Reunião Anual da SBPC reuniu sete mil inscritos e cerca de 14 mil participantes. Durante o encontro foram aprovadas uma série de moções destinadas à Presidência da República, Congresso Nacional e outros órgãos. A primeira, proposta pelo físico Moisés Nussenzveig, trata do controle de armas nucleares e é destinada aos presidentes do Brasil e Argentina, Congresso Nacional e Ministério das Relações Exteriores. O documento pede que seja aprovado o Acordo Quadripartite para inspeção mútua e não produção de armas nucleares pelos dois países. Outra moção, sugerida pelo novo presidente da SBPC, Aziz AbSaber, e destinada às assembléias estaduais, pede a vinculação de orçamentos ao financiamento de ciência e tecnologia pelas fundações de amparo à pesquisa. Um grupo de pesquisadores na área espacial defende a criação de uma agência espacial civil e com ampla participação de setores interessados. Pesquisadores na área de saúde defenderam numa moção dirigida ao Congresso e à imprensa, a descriminalização do uso de drogas, oferecendo a alternativa de sanções administrativas como parte de estratégias de prevenção. Também à Presidência da República e Ministério da Saúde será enviada moção envolvendo alimentação, inclusive como forma de fazer cumprir um acordo assinado há três anos em Nova Iorque (EUA), quando o Brasil se comprometeu a diminuir a desnutrição, com ameaças de retorno de enfermidades como o bócio (hipertrofia da glândula tireóide), cujo controle havia sido alcançado na década passada. O físico José Leite Lopes, um dos pesquisadores mais respeitados em sua área no Brasil, recomendou a seus colegas cientistas "que não permaneçam alienados dos problemas do Brasil no interior de seus laboratórios, mas interajam com a sociedade para melhorar a sorte de nosso futuro enquanto nação". O físico disse estar disposto "a percorrer escolas de primeiro e segundo graus, dando aula a professores para reciclar seus conhecimentos, mas duvidou que um número mais significativo de seus colegas esteja disposto a se engajar nessa tarefa" (O ESP).