A Organização Não-Governamental (ONG) Fundação Mata Virgem denunciou ontem que o empresário inglês Arthur Morrel, representante da Timber Trade Federation (a associação dos madeireiros da Inglaterra) está no Brasil tentando legalizar a exploração de mandeiras, especialmente o mogno, em terras indígenas brasileiras. A denúncia, com pedido de providências do governo, foi encaminhada, por carta, ao ministro da Justiça, Maurício Corrêa, e ao ministro interino das Relações Exteriores, Luís Felipe Lampréia. De acordo com a Fundação Mata Virgem, os madeireiros ingleses vêm sofrendo pressões em seu país. Preocupado com a situação, Arthur Morrel, segundo a Fundação, "busca reunir-se com autoridades governamentais e ONGs, tentando legitimar uma atividade criminosa". Dados da Fundação Mata Virgem revelam que em quatro anos foram retirados 80 mil metros cúbicos de mogno, somente na área indígena Xicrim (ao sul do Pará), com um lucro de US$10 milhões por ano para as madeireiras. O desmatamento ilegal gera um impacto social muito grande nos grupos indígenas que vivem nas reservas. Além disso, cada árvore de mogno que é derrubada, destrói mais de 1,450 metros quadrados de floresta, acabando com os recursos naturais da área (JC) (GM).