Antes mesmo de ser oficialmente aberta, ontem, em Salvador (BA), a III Conferência de Cúpula Ibero-Americana já vivia um clima de constrangimento. O presidente da Argentina, Carlos Menem, atacou o presidente de Cuba, Fidel Castro, afirmando que "sem democracia, o que sobra em Cuba é um ditador antiquado". Menem, apontado como porta-voz dos EUA no encontro, foi além: "O país de dom Fidel é um anacronismo no continente. Aquilo é uma lamentável ditadura", disse ele. Na cerimônia de abertura, o presidente Itamar Franco recepcionou alegremente os chefes de Estado. A exceção foi o peruano Alberto Fujimori, a quem Itamar cumprimentou com um sorriso frio e constrangido. Bem diferente foi o tratamento dispensado a Fidel Castro, recebido calorosamente. O documento final do encontro fará referência ao bloqueio que os EUA impõem a Cuba. No 68o. item da Ata Final, os líderes dos países ibero- americanos lembrarão a "necessidade de eliminar a aplicação unilateral, por qualquer Estado, com fins políticos, de medidas de caráter econômico e comercial, contra outro Estado", numa referência direta ao embargo norte-americano a Cuba. O presidente cubano pediu aos demais países ibero-americanos que reclamem a democratização da ONU (Organização das Nações Unidas). Fidel Castro disse não entender como a América Latina, com mais de 400 milhões de habitantes, não tem um único representante permanente no Conselho de Segurança da ONU. Ele disse que quando foi criada, a ONU congregava 50 países e hoje, com quase 200, continua a mesma. Fidel sugeriu a extinção do direito de veto, que chamou de Injustificável privilégio" dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. Ao encerrar o discurso, Fidel pediu apoio para o seu país: "De Cuba, brutalmente bloqueada, castigada e ameaçada porque é pequena, porque quis a justiça social, porque não se rende, não posso me esquecer. Para Cuba que luta peço a solidariedade dos meus irmãos da América Latina" (O Globo) (JB).