ITAMAR VÊ PERIGO NA "GRAVE SITUAÇÃO SOCIAL"

O presidente Itamar Franco deu uma clara dimensão política à "grave situação social", ao dizer que enfrentá-la é "uma tarefa a que nos convocam a urgência e o perigo". As afirmações do presidente brasileiro fazem parte do seu discurso na sessão solene de inauguração da III Conferência de Cúpula Ibero-Americana, realizada ontem em Salvador (BA). É preciso completar o que temos feito para a manutenção da paz e da
74897 segurança no mundo, com a solução dos problemas econômicos
74897 internacionais. Sem isso, paz e segurança estarão sempre sob pesada
74897 ameaça, afirmou Itamar, diante dos 23 chefes de Estado e governo, representando 21 países. O tema da Cúpula Ibero-Americana, este ano, é Agenda para o Desenvolvimento, com ênfase para o desenvolvimento social. O rei da Espanha, Juan Carlos, o outro orador da sessão, também bateu na tecla social: "A fome, a enfermidade e a marginalização que ainda persistem em grandes espaços do planeta deveriam animar-nos mais ainda, se é possível, a redobrar esforços para combatê-los", disse. Segundo ele, segurança e paz, desenvolvimento político, crescimento econômico e
74897 desenvolvimento social, democracia e direitos humanos são os elementos de
74897 uma única equação que entre todos devemos resolver. A crise econômica conjuntural, somada às dificuldades sociais que são estruturais, assusta os governantes, em especial os da América Latina. Quem melhor captou essa inquetação foi o presidente do Chile, Patrício Aylwin, ao compará-la com a euforia recente. "A euforia libertária com que se iniciou a década foi cedendo passo à incerteza de novos conflitos e turbulências", disse. "Quando mais de um bilhão de seres humanos padecem pobreza absoluta no planeta-- cerca de 200 milhões em nossa América Ibérica, quase a metade de sua população--, não temos direito a dormir tranquilos", afirmou. Na primeira reunião plenária de trabalhos dos 21 chefes de Estado e de governo, o presidente Itamar Franco condenou o comportamento dos países ricos, que praticam o protecionismo comercial e o monopólio tecnológico, impedindo a participação dos países em desenvolvimento em novos mercados e o acesso às chamadas tecnologias finas. Itamar alertou para a necessidade de maior cooperação dos países desenvolvidos com o objetivo de diminuir a pobreza e os conflitos sociais dos países em desenvolvimento (FSP) (O Globo).