BID PRESSIONA OS GOVERNOS POR REFORMAS

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), tido até a pouco como pura expressão da frieza tecnocrática, está superando os governos latino-americanos na ênfase para a necessidade de reformas sociais paralelas às reformas destinadas ao saneamento econômico. Ontem, em Salvador (BA), o diretor-geral do BID, Enrique Iglesias, anunciou a intenção de duplicar (de 25% para 50%) a porcentagem dos recursos do banco dirigidos a projetos na área social. Para o BID, a questão social deixou de ser um tema de discurso, ou uma questão ética para se transformar em ponto essencial para a governabilidade. "A reforma social é um complemento inescapável e essencial para as reformas econômicas, uma vez que ela busca assegurar sustentação econômica, política e social para aquelas reformas (as econômicas)", diz o documento "Agenda para Ação", do BID. Traduzindo: as reformas econômicas de cunho neoliberal que estão sendo feitas em quase todos os países latino-americanos não bastam para assegurar a manutenção dos regimes democráticos, enquanto houver os dramáticos problemas sociais que marcam a região (FSP).