PRESIDENTE DO PERU DIZ QUE NÃO VAI DEFENDER A DEMOCRACIA

O presidente do Peru, Alberto Fujimori, começou ontem a desempenhar a tarefa que definiu para si nesta III Conferência de Cúpula Ibero- Americana, que acontece em Salvador (BA): explicar aos seus parceiros comerciais e políticos as mudanças que impôs a seu país em cinco de abril último, quando fechou o Congresso e iniciou o que ele chama de pacificação do Peru e que na América Latina ficaram conhecidas como fujimorização a derrota das instituições democráticas diante da crise econômica e social. Ontem, falando à imprensa após desembarcar em Salvador, Fujimori descartou qualquer desentendimento entre o Peru e o Brasil suscitado por declarações do presidente Itamar Franco, anteontem em Brasília (DF), de que o risco de "fujimorização" não existe para os brasileiros e que o regime autoritário é uma idéia de retrógrados e medíocres. "Não se trata de um produto de exportação", declarou Fujimori, dizendo que as relações entre os Brasil e o Peru são excelentes. "É um processo próprio do Peru, inédito, e que funciona bem", disse. "Não vou defender a democracia", afirmou, referindo-se à sua posição (GM).