OS EMPRESÁRIOS E A CONFERÊNCIA IBERO-AMERICANA

Ao contrário do que tem pregado o presidente Itamar Franco, os empresários ibero-americanos não enxergam saída para a transição no livre mercado sem recessão e desemprego. Os países que desejarem abrir suas economias inevitavelmente vão enfrentar dificuldades. Esse é o dianóstico dos empresários reunidos em Salvador (BA) para discutir as conjunturas econômicas dos países participantes da III Conferência de Cúpula Ibero-Americana. "Cada país tem seus problemas", resumiu o presidente da Confederação de Organizações Empresariais da Espanha, José María Cuevas. "A questão do desemprego é ligada a uma modificação estrutural. As empresas têm que se tornar mais competitivas. O que se pode fazer é tentar aplicar mecanismos de compensação para aqueles que sofrem com o desemprego", diz Jean-Jacques Oechslin, presidente da Organização Internacional de Empregadores (OIE), com sede na Súça. Para ele, uma política importante a ser adotada pelos países a caminho do livre mercado é o retreinamento de pessoal. Também recomenda que "os cursos educacionais profissionalizantes não sejam tão rígidos, pois as pessoas precisam ser treinadas com uma certa flexibilidade para se adaptarem às mudanças na economia". Indagados se o regime político deve ser mais duro em países onde o livre mercado ainda não foi completamente implantado, os empresários disseram que a manutenção da democracia é fundamental. "As democracias ainda nem têm suficiente estabilidade. Há 10 anos o continente ainda não era sequer democrático. É necessário esperar e nesse tempo os governos têm uma responsabilidade enorme", afirma Carlos Arturo Angel, presidente da Associação Nacional de Industriais da Colômbia (FSP).