CAI O NUMERO DE LEITOS HOSPITALARES NO PAÍS

De 1980 até 1990, a população brasileira cresceu 24%, passando de 121,2 milhões para 150,3 milhões, enquanto o número de leitos em estabelecimentos públicos de saúde cresceu apenas 1,64% durante estes 11 anos, isto de 122 mil leitos para 124 mil. A oferta de leitos do setor privado cresceu 5,7% nesse período: 386 mil para 408 mil. Os dados constam do documento "Estatísticas da Saúde - Assistência Médico-Sanitária 1990", divulgado ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A redução no número de leitos é tão dramática que caiu de 1,03 leito por mil habitantes em 1980 para um em 1984 e 0,87 em 1990. O número de leitos privados para cada mil habitantes também caiu nos últimos anos, passando de 3,26 em 1980 para 3,21 em 1984 e 2,85 em 1990. O número ideal de leitos para mil habitantes, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), é de cinco. Em contrapartida, o número de consultas por cada mil habitantes aumentou substancialmente no período, o que, para Lilibeth Cardozo Ferreira, gerente da área de saúde e nutrição do IBGE, pode ser explicado pela tentativa de evitar a hospitalização nos estabelecimentos públicos. Ela chegou a essa conclusão tomando como base o número de consultas efetuadas entre 1985 e 1987, que apresentam uma divisão equilibrada entre o setor público e o privado ao passo que a partir de 1980, as consultas em hospitais públicos aumentaram. Segundo Lilibeth Cardozo Ferreira, durante os 11 anos analisados para a preparação do documento, o percentual de estabelecimentos de saúde sem internação saltou de 65,7% em 1980 para 79,6% em 1990. A rede pública, que respondia por 53,3% desses estabelecimentos no início da década, chegou a 61,1% no final. O que revela, disse Lilibeth, a acelerada privatização do setor de saúde face à falta de recursos e investimentos do setor público para atender as necessidades da população. Por região do país, a Sudeste é ainda a que concentra o maior número de unidades de saúde, 40% em 1980 e 36% em 1990. Nas demais regiões as variações passaram de 29% para 30% no Nordeste, de 19,2% para 20% no Sul, de 4,2% para 7,4% no Norte e de 6,4% para 6,1% no Centro-Oeste (O ESP) (FSP).