A diretora para a América Latina do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Marta Mauras, disse ontem, em Salvador (BA), que há dinheiro suficiente nos países latino-americanos para impedir que quatro milhões de crianças morram de fome e outros dois milhões de menores sejam vitimados por doenças até o ano 2000. Para salvar essa população infantil, no entanto, é indispensável que a sociedade civil pressione os governos para direcionar investimentos para saúde e educação. Segundo Marta Mauras, as políticas neoliberais e a crise econômica no continente reduziram os gastos sociais. O UNICEF quer que os governos latino- americanos se comprometam a investir algo em torno de US$14 bilhões ao ano, dinheiro suficiente para salvar a vida de dois milhões de crianças e 86 mil mães da região. A diretora do UNICEF informou que no seminário "A Criança na Agenda do Desenvolvimento e a Democracia", realizado em Fortaleza (CE), no mês passado, foram definidas como metas prioritárias tirar seis milhões de crianças da miséria em que vivem 35 milhões de menores na América Latina; fornecer água potável para 100 milhões de pessoas e saneamento básico a 156 milhões; escolas para 12 milhões de crianças e eliminar a repetência escolar que custa US$4 bilhões por ano. Marta Mauras manifestou também o temor de que o documento final da III Conferência Ibero-Americana de Chefes de Estado e de Governo deixe de refletir a gravidade do quadro social da região. Segundo os dirigentes do UNICEF, está havendo resistência à inclusão, na declaração conjunta dos países participantes, de metas para a proteção dos direitos da infância nos países ibero-americanos. As metas, estabelecidas no encontro de Fortaleza, podem virar mero anexo ao documento final da conferência. Isso pode diminuir o comprometimento formal dos países com a proteção
74870 dos direitos das crianças e adolescentes, alerta Marta Mauras (JC) (O ESP) (FSP).