Da forma como está sendo executado o MERCOSUL poderá agravar problemas sociais, aumentar o desemprego e levar setores dos quatro países que integram o acordo a se confrontarem. A preocupação foi levantada ontem numa discussão sobre o tema "Cone Sul: problemas e perspectivas", na 45a. Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), no Recife (PE). Para o cientista político da UFRRJ Hector Alimonda "é absurdo que ao mesmo tempo em que o Brasil faz um programa de combate à fome, permite a tendência de eliminação de setores agrícolas do sul do país responsáveis por produtos básicos para a alimentação". Na sua opinião, o MERCOSUL "é basicamente um programa comercial que funciona para algumas grandes indústrias da siderurgia e automobilismo, por exemplo, mas não propõe cooperativas e associações entre vários outros setores dos países-membros". Ele exemplifica com a produção do leite e do trigo, áreas que, a seu ver serão profundamente afetadas. Hector Alimonda frisou a importância e a necessidade da integração dos países latinos em busca da solução de problemas comuns, mas critica a falta de aprofundamento dos seus desdobramentos e afirma que o perfil do MERCOSUL não é democrático e não contou com uma discussão envolvendo a sociedade civil organizada e os produtores (JC).