Na primeira entrevista coletiva organizada de seu governo, o presidente Itamar Franco afirmou que o Estado brasileiro está falido e manifestou seu apoio irrestrito ao ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, a quem deu carta branca para conduzir a política econômica. "A política econômica está entregue ao ministro. O governo não se afastará dessa política, até que o ministro entenda que deva ser afastada", declarou o presidente, dizendo-se inconformado com as taxas mensais de inflação: "Num país que tem uma inflação de 30% não é apenas o presidente que se sente insatisfeito. Somos todos nós que devemos estar insatisfeitos". Encontramos o Estado em ruínas, dilacerado, destroçado. O país sofre as
74868 consequências de um Estado falido. É preciso dizer que o Estado
74868 brasileiro está falido, afirmou. O presidente garantiu que em seu governo não haverá risco de fujimorização (uma referência ao golpe de Estado promovido pelo presidente peruano Alberto Fujimori) e disse que só define se sanciona ou veta o projeto de política salarial depois que for aprovado pelo Congresso. "Nós não faremos da política salarial a política do arrocho. Esse não é um governo que vê o salário como inflacionário", garantiu Itamar (JB).