O fim do socialismo na Europa provocou graves danos à Teologia da Libertação, que usa o marxismo como instrumento teórico de análise social. A opinião é dos principais bispos católicos presentes à 3a. Consulta de Bispos e Pastores da América Latina e Caribe, que se realiza em Nova Iguaçu (RJ). Segundo o presidente do CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs), dom Sinésio Bohn, a Teologia da Libertação "hiberna nas bases, como planta cortada cujas raízes estão crescendo". Os teólogos, segundo ele, "precisam rever a nomenclatura porque algumas expressões ficaram envelhecidas". Dom Sinésio disse que o fim do socialismo amenizou os conflitos ideológicos na Igreja Católica, mas eles deverão reaparecer tendo o neoliberalismo como divisor de águas. "O neoliberalismo vai apodrecer", afirmou. "Precisamos de outra chave de leitura. A que a Teologia da Libertação nos deu não é mais eficiente", disse o representante da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) no encontro, dom Vital Wildering. Segundo o padre José Oscar Beozzo, teólogo da Libertação, a crise da corrente "é a mesma das ciências sociais, que não podem explicar o que ocorre no mundo". Ele disse que o marxismo "enfrentou questões cruciais, mas ficou curto por não prever tamanha globalização do mercado". A Teologia da Libertação, segundo o padre, trabalhou só a economia e desprezou a cultura (FSP).