Mesmo sem respostas afirmativas de todos os credores, o governo já considera garantidas as condições para a renegociação da dívida externa de US$36 bilhões com os bancos estrangeiros-- o que representa um abatimento mínimo inicial de US$4,4 bilhões sobre esse valor. O anúncio foi feito ontem pelo negociador oficial da dívida, Pedro Malan, após contabilizar as últimas propostas enviadas pelos bancos ao governo brasileiro. De acordo com Malan, os bancos estrangeiros concordam em renegociar pelo menos 35% da dívida brasileira através de bônus de desconto, papéis que abatem o total do débito em 35%. Além dessa condição, o governo desejava que no máximo 40% da dívida fosse renegociada em bônus ao par, sem abatimento, mas com juros tabelados. Segundo Malan, as respostas contabilizadas dos bancos apontam que 36,27% da dívida seria reescalonada pelo bônus de desconto, enquanto 31,09% da dívida seria trocada por bônus ao par, e o restante nas demais cinco opções. Segundo ele, o Brasil já teria assegurado US$300 milhões em dinheiro novo. Os recursos serão usados pelo país para constituir parte dos US$4 bilhões de garantias previstas no acordo com os bancos privados, a serem acumuladas ao longo de dois anos. O único passo restante para a normalização das relações do Brasil com a comunidade financeira internacional é a obtenção de um acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional). O acerto com o FMI vai permitir a conclusão do acordo com os bancos, cujo prazo final é o próximo dia 30 de novembro. A conclusão do acordo com os bancos estrangeiros vai determinar o reescalonamento da dívida brasileira com o setor privado, que inclui ainda US$7 bilhões junto a bancos brasileiros sediados no exterior, US$6 bilhões em juros atrasados e US$4 bilhões referentes a novos empréstimos recebidos em 1988. No total, são US$53 bilhões. As condições obtidas pelo Brasil, disse Pedro Malan, são mais vantajosas que as concedidas à renegociação da dívida argentina. Quando fez a renegociação com os credores privados, a Argentina concentrou 65% de sua dívida em bônus ao par, e 35% em bônus de desconto. O presidente do comitê de bancos credores, William Rhodes, disse ontem acreditar que 90% das instituições vão aderir às novas regras de renegociação da dívida externa brasileira. O comitê reúne os 22 principais credores brasileiros. Numa demonstração de apoio político às negociações, Rhodes veio ao Brasil acompanhando o negociador oficial da dívida, Pedro Malan, e encontrou-se com o ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, e com o presidente do Banco Central, Paulo César Ximenes. Rhodes avalia que o acordo com os bancos credores estará concretizado até novembro. Antes disso, o comitê exige que o FMI avalize formalmente o ajuste econômico brasileiro (FSP) (JB).