Participantes ativas da Rio-92, as ONGs (Organizações Não-Governamentais) não foram convidadas para a III Conferência Ibero-Americana de Chefes de Estado e de Governo, que começa amanhã, em Salvador (BA). Por isso, decidiram fazer uma reunião paralela para avaliar a situação sócio- ambiental da Bahia, os desdobramentos da Rio-92 e discutir as estratégias de acompanhamento da conferência oficial. As ONGs estão elaborando um documento que pretendem distribuir na conferência oficial. Lizt Vieira, presidente do Instituto de Ecologia e Desenvolvimento e um dos coordenadores do encontro de ONGs, ajudou a elaborar o documento que critica a ausência das ONGs. Isto prova que as discussões na conferência não estão sendo transparentes. Por que não permitir que a sociedade organizada participe destes debates?". Outra queixa é a falta de decisão de colocar em prática as resoluções da Rio-92. "O desenvolvimento nesses países ibero-americanos é predatório ecologicamente e socialmente injusto. Vivemos um desenvolvimento que gera aumento de pobreza e isso não deve continuar", afirmou Vieira. O documento será assinado por 11 entidades que fazem parte da coordenação do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais e representa 1.200 entidades de todo país. A ata final da conferência está recebendo os últimos retoques. O documento tem 19 páginas e 57 parágrafos que dão ênfase à administração compartilhada das questões sociais, além de conclamar as Nações Unidas a adotarem para valer a agenda do desenvolvimento no mesmo plano das questões relativas à paz e à segurança nacionais. O embaixador Flávio Perri, secretário-geral da conferência, disse que na ata não será tratado nenhum assunto específico de cada país, como o bloqueio comercial contra Cuba, nem o G-7. O documento terá um parágrafo específico sobre a Rodada Uruguai do GATT. O tema da conferência é "Uma Agenda para o Desenvolvimento". O encontro tem a presença confirmada de 17 presidentes latino-americanos, o rei e o primeiro-ministro da Espanha e o presidente e o primeiro-ministro de Portugal. O secretário-geral da ONU, Boutros Boutros-Ghali, cancelou sua vinda. Também os presidentes da Venezuela e da República Dominicana não vêm ao encontro (JB) (O ESP).