GOVERNO RECUA NA CRISE DA POLÍCIA FEDERAL

O governo recuou na crise da Polícia Federal. O ministro da Justiça, Maurício Corrêa, negociou ontem com 18 superintendentes demissionários a transferência do diretor Wilson Romão para o cargo de secretário da PF, com poderes administrativos sobre a corporação. Em troca, a direção-geral seria entregue a um delegado de carreira, tirado de uma lista de três nomes. O ministro pediu 30 dias para resolver os problemas da PF. A indicação de Romão deflagrou a crise no órgão. Por 11 anos-- de 1975 a 1986-- o ministro da Justiça, Maurício Corrêa, sonegou Imposto de Renda. A denúncia é de dois advogados, Aidano Farias e Eri Varela, em processo encaminhado à Justiça no último dia nove de maio, reiterando acusações de outro advogado, Pedro Calmon. Corrêa "criou e extinguiu empresas do ramo imobiliário e transferiu o patrimônio de uma empresa para a outra, confundindo" o Fisco, segundo os denunciantes. O processo está sendo examinado pelo juiz Pedro Paulo Castello Branco, que decretou a prisão preventiva de Paulo César Farias, o PC, pelo mesmo tipo de crime. O presidente Itamar Franco determinou à Receita Federal investigações sobre bens que o ministro não teria declarado, entre eles uma mansão no Lago Sul, em Brasília (DF), onde mora, avaliada em US$3 milhões. "Tão logo receba o relatório da Receita, tomarei as providências que a lei exigir", prometeu o presidente (FSP) (O ESP) (JB).