Uma das entidades ambientalistas internacionais mais conservadoras e poderosas, The Nature Conservancy (TNC), vai usar sua principal e mais controvertida arma no Brasil: adquirir terras para conservar seu sistema ecológico. A TNC acaba de lançar uma campanha internacional para levantar fundos e adquirir uma área de Mata Atlântica na região de Guaraqueçaba, no Paraná. A campanha-- "Adopt an Acre", ou "Adote um Acre" (cada acre equivale a 0,405 hectare)-- já recebeu US$220 mil da John D. e Catherine T. MacArthur Foundation e US$100 mil de um doador anônimo. As outras três áreas de interesse da TNC no Brasil, classificadas de "ecossistemas mais ameaçados" do país, são o Cerrado, a Amazônia e o Pantanal. Um movimentado centro de captação, localizado em Arlington, Estado de Virgínia (EUA), se encarrega de receber as doações que alimentam a TNC desde que foi criada, em 1951. O balanço encerrado em junho de 1992 mostra que naquele ano fiscal a entidade recebeu US$121,8 milhões em doações. Empresas como Coca-Cola, JP Morgan, Dow Chemical e SmithKline Beecham estão entre as que deram mais de US$1 milhão. Mas a mesa de captação também recebe doações em terrenos (US$35,5 milhões no exercício passado) e está apta a fazer conversões da dívida externa em investimento. A TNC participou da primeira conversão da dívida externa brasileira para o meio ambiente, realizada em maio, com montagem financeira do American Express e atuação também da Fundação Pró-Natureza (Funatura) e IBAMA. Foram levantados US$2,2 milhões que serão investidos no parque nacional Grande Sertão Veredas, uma área de 207 mil acres (83,8 mil hectares) na região do Cerrado (GM).