A Coordenadoria de Projetos Especiais da Marinha (Copesp) estuda a possibilidade de construir uma usina nuclear flutuante no rio Amazonas. A informação é do especialista em planejamento energético da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Ennio Peres da Silva, que foi consultado sobre a viabilidade do projeto. A idéia, conforme explicou, é tecnicamente possível, mas do ponto de vista ambiental é muito arriscada. Um acidente provocado por vazamento nuclear nos rios amazônicos seria
74851 catastrófico, disse. Silva explicou que a consulta aos técnicos da UNICAMP foi feita de maneira informal, no final do ano passado. O objetivo, afirmou, é garantir o abastecimento a comunidades isoladas na Amazônia, que hoje dependem exclusivamente da queima de óleo diesel para geração de eletricidade. O produto é transportado de maneira precária pelos rios, causando constantes interrupções no suprimento energético. De acordo com o especialista, uma Pequena Central Nuclear (PCN) seria montada num navio, que percorreria as diversas comunidades. A usina flutuante teria capacidade para gerar 100 MW de energia, suficientes para iluminar uma cidade de 50 mil habitantes. O navio ficaria estacionado por um dia em cada comunidade, onde depositaria hidrogênio para posterior transformação em eletricidade. Seria empregada a mesma tecnologia desenvolvida pela Marinha, no Centro Experimental de Iperó (SP), para a construção do primeiro submarino nuclear brasileiro. No relatório enviado à Marinha, Silva afirmou que o projeto é tecnicamente possível. Entretanto, ele considera o processo "não recomendável". Manter nos rios amazônicos um reator nuclear com capacidade para 100 MW é muito arriscado. "Não seria possível dotar a embarcação do sistema de blindagem ideal a um reator deste porte", comentou. O especialista da UNICAMP aconselha o estudo de alternativas locais, como a produção de energia pela gaseificação da madeira. "É um sistema seguro, eficiente e que dispensa a instalação de longas linhas de transmissão", explica. Outra saída seria a instalação de pequenas centrais hidrelétricas (JC) (O ESP).