EXTORSÃO ERA FEITA USANDO NOME DE PREFEITO E GOVERNADOR

Roberto Carneiro e seu colaborador, Bernardo Goldszal, presos no último dia dois por extorquir a Cooperativa Brasileira de Caminhoneiros (Cobrascam), usavam os nomes do prefeito do Rio de Janeiro, César Maia (PMDB) e do governador Leonel Brizola (PDT) para exigir suas "comissões". Em fitas gravadas pelo presidente da Cobrancam, Nélio Botelho, a dupla citava até a formação de uma "caixinha" para eleger com US$6 bilhões (Cr$391,8 trilhões) o governador Brizola à Presidência da República e o prefeito César Maia ao governo do estado, com US$5 bilhões (Cr$326,5 trilhões), além de vários deputados. As conversas-- duas por telefone e uma pessoalmente-- foram mantidas por Botelho com Roberto Carneiro e o amigo Bernardo Goldszal, antes de serem presos em flagrante, quando extorquiam o próprio Botelho. Com base no conteúdo das fitas, o presidente da Associação Brasileiros dos Direitos dos Contribuintes (Confraria dos Extorquidos), Ricardo Bronze, formaliza hoje denúncia de corrupção à Procuradoria de Justiça do estado contra o governador, o prefeito e o secretariado municipal. Roberto Carneiro, que se apresentou na fita como assessor dos secretários de Urbanismo e de Obras do município, Luís Paulo Conde e Márcio Fortes, queria US$50 mil (Cr$3,2 bilhões) só para aprovar o projeto do Parque Cobrascan-Rio, o maior estacionamento para caminhões do mundo, no Km 1 da Via Dutra, entre o Rio e São Paulo (JB).