MINISTRO SOFRE PRESSÕES DO GOVERNO, DA PF E DE PC

O ministro da Justiça, Maurício Corrêa, passa por um isolamento político e enfrenta pressões de todos os lados. Ele é responsabilizado pelo fracasso da prisão de Paulo César Farias e pela crise na Polícia Federal. Corrêa foi desautorizado pelo presidente Itamar Franco na nomeação do coronel reformado Wilson Romão para a direção da PF. O grupo ligado a PC diz que está levantando uma suposta conta "fantasma" que teria financiado a campanha do ministro em 1986. Ele também teria recebido US$500 mil da comunidade árabe para sua campanha ao Senado Federal-- a informção constaria de um dossiê do extinto SNI (Serviço Nacional de Informações). Em nota divulgada ontem, o ministro acusa grupos da PF que querem transformar a disciplina e a ordem que o governo está impondo em
74826 um fator de desestabilização das instituições. E classificou o dossiê do SNI de "armação da direita raivosa". Segundo as denúncias, o ministro teria sofrido chantagem do ex-diretor da PF, Amaury Galdino. A Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e a Sociedade Árabe-Palestina confirmaram apoio a Corrêa nas eleições mas negaram a doação de US$500 mil à campanha. O ministro da Justiça deverá enfrentar hoje mais um contratempo: delegados federais em postos de chefia, que protestam contra a nomeação do coronel Wilson Romão, vão a Brasília entregar pessoalmente seus cargos. Romão ameaça com processo administrativo quem quebrar a disciplina. Bilhetes apreendidos na mansão de PC em Maceió (AL) indicam que, além da Polícia Militar, policiais civis e outros funcionários do governo de Alagoas colaboraram na sua segurança e podem ter dado cobertura para sua fuga. A mulher do empresário, Elma, será intimada hoje para explicar a origem das armas apreendidas com os seguranças na mansão. A PF vai aumentar as pressões em torno de familiaires e amigos de PC. A PF acredita que PC tenha interrompido seus contatos com a família desde o último dia oito porque duas mesas de rádio "pirata", que eram operadas por empregados da mansão de Maceió, foram desmontadas por agentes federais. A polícia abrirá novo inquérito contra PC, desta vez por contrabando de equipamentos (FSP) (O ESP) (O Globo) (JB).