Por culpa da Legião Brasileira de Assistência (LBA), os asílos do Estado do Rio de Janeiro se transformaram em grandes depósitos de velhos. O órgão paga às instituições conveniadas apenas Cr$2 milhões mensais por cada idoso internado, menos de meio salário-mínimo. A tabela foi reajustada há 10 dias: até o fim de junho o repasse era de somente Cr$1,5 milhão, menos de Cr$375 mil por semana. Sem dinheiro, os asilos não têm médicos nem enfermeiros, enchem de camas quartos geralmente apertados e sujos, deixam os idosos abandonados e servem comida de péssima qualidade. Em alguns locais, entrevados no leito, os velhos não recebem sequer a higiene básica diária e são obrigados a dormir sujos de fezes e urina. O superintendente da LBA no Rio, Jaime Moura, admite que os asilos foram obrigados a cortar o que ainda havia de qualidade em seus serviços por absoluta falta de recursos e que o dinheiro pago pela LBA não dá nem para a alimentação. A situação é ainda mais dramática porque, quase sempre abandonados pela família, os idosos não podem sequer escolher outro lugar para ir. Segundo o superintendente, mesmo nessa situação calamitosa a maior parte das clínicas ainda resistem em romper com o convênio, para não ser obrigadas a fechar. Cerca de 90% dos asilos conveniados deixaram até de pagar o INSS e o FGTS de seus empregados e, por isso, estão sem receber os repasses da LBA até que a situação seja regularizada. O órgão já chegou a financiar a internação de 14 mil idosos no Estado do Rio de Janeiro, mas hoje abriga apenas 3.498 idosos, em 272 asilos (O Globo).