VERA CRUZ TERÁ QUE RECOMPOR ÁREA DESMATADA NA BAHIA

O Ministério do Meio Ambiente decidiu suspender o embargo ao Projeto Vera Cruz, na Bahia. O laudo do IBAMA (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) confirmou a denúncia de desmatamento em área de preservação e a empresa terá de pagar multa e recompor a área antes de retomar as atividades, mas nas regiões onde não foram constatados problemas o trabalho pode seguir normalmente. O projeto de reflorestamento (plantação de eucalipto para produção de celulose) que a Vera Cruz Florestal, do Grupo Odebrecht, faz no Município de Eunápolis, sul da Bahia, estava suspenso desde 11 de maio para que o ministério pudesse investigar as denúncias da Greenpeace e da SOS Mata Atlântica, de que estava havendo desmatamento ilegal. As denúncias se referiam a quase seis mil hectares, referentes aos projetos Sucupira e Inhapiba que a empresa realiza, mas a avaliação do IBAMA se estendeu a toda a propriedade da empresa (quase 11 mil hectares). O laudo dos técnicos confirmou o desmatamento de capoeiras-- consideradas áreas de regeneração e que devem ser preservadas-- nos dois projetos denunciados, totalizando 64 hectares. Foi um desmatamento pequeno, mas houve, afirmou o ministro do Meio Ambiente, Fernando Coutinho Jorge. A punição adotada neste caso foi exemplar na opinião do ministro: a empresa será obrigada a recompor a área em um prazo de um ano, e o ministério vai definir uma multa a ser paga de acordo com o nível de desmatamento praticado. Outra falha da Vera Cruz aconteceu na classificação da vegetação. Nos mapas da empresa cerca de 250 hectares de capoeira foram classificados erroneamente como capoeirinha (um estágio anterior de mata em recuperação). Um detalhe técnico, se não tivesse consequências práticas: a capoeirinha, pelas normas anteriores ao Decreto no. 750 (Mata Atlântica) poderia ser desmatada para a plantação de eucalipto. O próprio ministro admite que é muito tênue a diferenciação entre as duas classificações, e as interpretações regionais são bastante variadas. Para solucionar o problema, uma comissão técnica vai deixar claros os critérios de classificação-- que serão uniformes em todo o país. A empresa do Grupo Odebrecht vai pagar ainda por ter falhado na fiscalização da área. Apesar de ter alegado que o corte de 10 árvores em sua propriedade foi feito clandestinamente, é a própria empresa que terá de arcar com a multa pelo ato. A Vera Cruz deve ainda reformular os aceiros, que estão sendo feitos de modo errado e com risco de provocar erosão na área (GM).