Uma idéia polêmica, que chegou a ser praticada no governo do então presidente Getúlio Vargas, foi ontem lançada pelo ministro da Indústria, do Comércio e Turismo, José Eduardo Andrade de Vieira, como alternativa para que os preços do café no mercado internacional sejam valorizados: Minha proposta é queimar o equivalente a 20% das exportações, disse. O ministro frisou que a proposta é pessoal e não representa uma decisão do governo, mas revelou que foi aplaudido quando colocou a idéia na mesa de discussões durante a reunião dos produtores de café da América Latina, realizada no último fim de semana em San Salvador. Os produtores de café da região decidiram estabelecer um esquema de retenção de café, pelo qual os países participantes se obrigam a reter na origem 20% das exportações da safra 1993/94. No caso do Brasil, que exporta 18 milhões de sacas, seriam retidas 3,6 milhões de sacas. O ministro defende a queima do café de má qualidade para valorizar o produto de boa qualidade. A sugestão do ministro dividiu as opiniões de representantes do setor. Os produtores denominaram a medida como "dura" e "drástica", além de polêmica, mas aceitariam em acatá-la contando que não fosse uma atitude unilateral. Querem que os demais países produtores façam o mesmo. Outros representantes qualificaram tal atitude como "absurda" (GM).