As quatro grandes potências comerciais do mundo-- EUA, Comunidade Européia, Japão e Canadá-- fecharam ontem em Tóquio um pacto para eliminar ou reduzir as tarifas alfandegárias sobre 18 setores industriais, o que segundo o presidente norte-americano, Bill Clinton, permitirá superar o estancamento da Rodada Uruguai do GATT. O acordo foi acertado no primeiro dia da cúpula dos sete países mais ricos do mundo. Iniciadas em 1986 para definir novas regras para o comércio mundial, as negociações no GATT caíram num impasse há dois anos, devido às divergências entre EUA e Europa quanto aos subsídios à agricultura. O acordo feito ontem prevê o seguinte: -- Eliminação das tarifas alfandegárias para produtos farmacêuticos, equipamentos médicos, aço, móveis, equipamento agrícola, cerveja, material de construção e bebidas alcoólicas. -- Redução de tarifas de até 50% para cerâmica, vidro, têxteis e artigos de vestuário. -- Cortes tarifários de no mínimo 33% para madeira, equipamentos científicos, instituição de um sistema tarifário para produtos químicos, papel, metais, não-ferrosos e produtos eletrônicos (incluindo semicondutores). O acordo em torno das tarifas de importação de produtos industriais firmado ontem pode ajudar a quebrar o gelo nas negociações da Rodada Uruguai, que recomeçam em setembro, avalia o embaixador Rubens Barbosa, subsecretário de comércio do Ministério das Relações Exteriores. Para o embaixador, é importante para o Brasil um acordo definitivo na Rodada Uruguai, que definirá regras claras para o mercado internacional, pois o país tem muito mais chances de conseguir vantagens em negociações multilaterais do que bilaterais. Para o economista Carlos Geraldo Langoni, da FGV, "o Brasil tem condições de aumentar suas exportações agrícolas para Japão e CE em US$2 bilhões por ano caso caiam as barreiras comerciais". O embaixador Rubens Barbosa lembra, porém, que o acordo de ontem, mesmo referendado pela maioria dos membros do GATT, não significa que as exportações brasileiras de aço para os EUA deixariam de ser sobretaxadas. Isso porque o governo norte-americano possui uma lei de comércio, a Super 301, já aplicada contra o Brasil em vários casos, que permite ao Departamento de Comércio dos EUA adotar sanções contra qualquer país sempre que se sentir prejudicado. É por essa razão que o Brasil defende a transformação do GATT em um superorganismo que além de regular o comércio dicidiria também sobre aplicações de sanções unilaterais, mas sofre resistência dos EUA. O embaixador ressalta que o acerto de ontem é apenas uma das três vertentes de negociação do GATT, que tratam também do comércio internacional nos setores agrícola e de serviços (O Globo) (JB).