O diretor do Departamento de Comércio Exterior da FIESP, Giulio Lattes, disse ontem lastimar a atitude da Argentina de impor quotas para as importações de papel do Brasil. Para ele, a decisão "não se justifica" porque o Brasil exporta papel e celulose para várias partes do mundo e nunca houve queixa alguma. Sobre a decisão de Buenos Aires de reduzir a zero as tarifas de importação de máquinas de qualquer procedência, Lattes disse que, com isto, a Argentina anulou "de uma penada só" os benefícios tarifários que o Brasil tinha obtido em negociações bilaterais antes e dentro do MERCOSUL. O ministro da Economia da Argentina, Domingo Cavallo, citou ontem uma avalanche de papel barato do Brasil ao defender as quotas de importação. Segundo ele, as quotas respeitam o GATT e não significam qualquer recuo em seu programa de abertura do mercado. As quotas são apenas para alguns tipos de papel que representam cerca de
74786 20% do consumo atual, disse. Cavallo afirmou que ""os fabricantes brasileiros de papel ampliaram sua capacidade na década passada graças a subsídios. Isto permite que eles vendam agora o papel a preços muito baixos" (FSP).