ESQUADRÕES DA MORTE EXECUTAM 10 PESSOAS AO DIA NA AL

Esquadrões da morte e policiais mataram cerca de 3.700 pessoas (ou 10 por dia) na América Latina. O Brasil está ao nível de Haiti, Guatemala e Colômbia como um dos países onde as execuções extrajudiciais são mais frequentes, segundo balanço dos direitos humanos em 1992 feito pela Anistia Internacional. O relatório divulgado ontem em Londres (Inglaterra) revela ainda que no ano passado estavam encarcerados 300 mil presos políticos, detidos sem julgamento ou por simples ordem administrativa, em 62 países do mundo. O documento descreve com detalhes violações a direitos humanos cometidos no ano passado em 161 países (o planeta tem pouco mais de 180). Cento e dez dos 161 países citados pela organização praticaram a tortura e 45 recorreram ao assassinato para se ver livres de opositores ou de agitadores políticos. A Anistia acusou a comunidade internacional de ter Ignorado cinicamente" suas obrigações quando lhe foi conveniente. Segundo a organização, os governos continuam a pôr a política acima da vida das pessoas. A Anistia criticou também o que chamou de "resultado apenas retórico" da Conferência Mundial de Direitos Humanos, realizada no mês passado em Viena (Áustria). O Brasil é mencionado pela Anistia Internacional entre aqueles em que ocorrem execuções extrajudiciais, assassinato organizado de crianças, massacres em prisões, tortura e abusos sexuais contra presos e onde índios são alvo de violência. Poucas nações que se consideram democráticas abrigam tanto ataques aos direitos humanos. Mas, em termos latino-americanos, o país está cercado de violações por todos os lados. A Colômbia acompanha o Brasil no topo da lista de países onde matadores mais exterminam pessoas "socialmente indesejadas". Casos desse tipo ocorrem no Peru, Venezuela, Guatemala e Haiti. Também no Chile, a democracia partidária não extinguiu o hábito da tortura-- ela agora ocorre contra presos comuns. Ali, "os métodos usados incluem afogamento, choques elétricos, obrigar as pessoas a ficarem de pé por longos períodos e espancamento". A prática de tortura é apontada em 26 países da América, incluindo México, Haiti e Honduras (FSP) (JB).