Estão crescendo as pressões contra os produtos brasileiros na Argentina. Aumentou significativamente a lista de bens manufaturados do Brasil sujeitoa a restrições, por causa de denúncias de "dumping" em curso ou já aceitas pelo governo argentino. Há um ano essa lista se restringia a oito categorias de produtos. Agora, já abrange 21, conforme os dados coletados pela FIESP junto aos organismos de comércio exterior do governo federal. A simples tramitação da denúncia tem efeitos imediatos sobre as importações de um produto: o importador argentino suspende as compras, na expectativa de um desfecho com fixação de alíquota mais alta ou de uma cota fixa; vários são os casos de suspensão temporária de preferência tarifária. É o efeito da invasão de produtos brasileiros no mercado argentino, constata Laerte Setúbal Filho, diretor de Assuntos Internacionais da FIESP. As exportações brasileiras crescem de forma vertiginosa. No primeiro quadrimestre somaram US$1,018 bilhão-- 20% a mais do que no mesmo período de 1992. Os empresários já se queixaram ao governo brasileiro, que pretende realizar nos próximos dias 15 e 16 uma rodada de negociações com a Argentina. Do lado governamental, identifica-se como foco de grande preocupação a Resolução no. 501 do governo argentino, de 18 de maio, que acaba com as vantagens brasileiras nas exportações de bens de capital. O país era o único fornecedor com alíquota zero, até então. Agora está igual aos outros (GM).