O desenvolvimento econômico e social só ocorrerá se estiver baseado na aplicação de novas tecnologias e aumento da densidade de conhecimento, ou seja, operários especializados. Não é mais possível desenvolvimento através da exploração de recursos naturais e da mão-de-obra barata. Essas são as conclusões a que chegaram representantes de 21 países presentes ontem ao encontro preparatório da III Conferência Ibero- Americana. Reunidos em Salvador (BA), eles concordaram que é momento de se estabelecerem novos paradigmas e, a partir daí, traçar políticas públicas e privadas voltadas para a educação. "A lição a seguir é essa", afirmam pesquisadores e economistas. Juntos, países da América Latina devem tratar urgentemente da transferência de tecnologia dos países ricos. A Conferência Científica tratou basicamente das duas vertentes: mudança de comportamento político e acesso a tecnologia de ponta. No primeiro aspecto, o economista Aldo Ferrer, ex-ministro da Economia da Argentina (1971-72) foi enfático: "Há necessidade de os países se unirem para alcançar recursos que resolvam problemas comuns, ligados a educação, saúde, meio ambiente, desigualdade social". Para ele, é através dessa cooperação além fronteiras que se conseguirá atingir a tecnologia de ponta. "Há uma concentração e monopólio dos países ricos, quando se trata de biotecnologia ou eletrônica", cita. Como forma de furar o cerco, o empresário Nelson Cerqueira, do Instituto Euvaldo Lodi, da Bahia, diz que o caminho é atrair Portugal e Espanha, que estão se tornando os canais para acessar a tecnologia dos países europeus. Segundo explicou, esses países têm a determinação de não transferir conhecimentos para fora dos países-membros da CEE (Comunidade Econômica Européia) (GM).