Nunca tanta gente emigrou como agora em busca de uma vida melhor. A conclusão é do Fundo de População da ONU, que em seu relatório anual sobre o "Estado da População Mundial 1993" afirma que 100 milhões de pessoas deixaram tudo para trás e se tornaram emigrantes em 1992-- duas vezes mais que em 1989. Esse número inclui 17 milhões de refugiados políticos e 20 milhões que fugiram da violência, da seca ou de outros desastres ambientais. Os mais de 60 milhões restantes são "migrantes econômicos", que trocaram a certeza de uma vida sem horizontes em sua terra pela esperança de realização em outros países. "Numa escala sem precedentes em toda a história, as pessoas estão migrando em busca de oportunidades", diz o documento. A migração internacional é maior entre os países em desenvolvimento do que dos pobres para os ricos. A região que mais recebeu imigrantes foi a África subsaariana (35 milhões). Em segundo lugar, Ásia e Oriente Médio (15 milhões). EUA e Europa receberam 13 milhões. Com o crescimento da população mundial-- que hoje é de 5,5 bilhões e no ano 2000 passará dos seis bilhões-- a tendência da migração internacional é aumentar. A razão é simples: onde mais nasce gente é no Terceiro Mundo, responsável atualmente por 90% do crescimento demográfico e por 95% no final do século. Para os países de origem, a migração é bom negócio. Remessas dos emigrantes para as famílias chegaram a US$66 bilhões-- quantia superior ao total da ajuda externa, de US$46 bilhões. Mas para os países de destino, nem tanto. Segundo o informe, as levas de imigrantes exaurem os recursos naturais, e podem se tornar "a grande crise humana de nossa época". Segundo a ONU, o ambiente pobre e hostil está criando cada vez mais migrantes. Das pessoas pobres nos países em desenvolvimento, estimadas em um bilhão, 450 milhões vivem em zonas agrícolas com baixa capacidade potencial. Enquanto nos países ricos a qualidade de vida/renda per capita triplicou desde 1950, não ocorreram melhorias nos países mais pobres. Devido à pobreza rural, entre 20 milhões e 30 milhões de camponeses mais pobres do mundo se dirigem para as cidades a cada ano. No ano 2000, 90% dos pobres absolutos da América Latina e Caribe estarão nas cidades, contra 40% na África e 45% na Ásia. A pobreza rural e urbana empurra cada vez mais pessoas para outros países, diz o relatório. No México, é grande o número de trabalhadores que deixa o país, sendo que 90% se dirigem para os EUA. O Brasil, por sua vez, vem também recebendo grande número de migrantes de países vizinhos (JB) (O ESP).