O ministro da Agricultura, José Antônio Barros Munhoz, disse ontem, no Rio de Janeiro (RJ), que o Brasil está fazendo uma "reforma agrária às avessas" ao não subsidiar pelo menos os produtores de alimentos básicos (arroz, feijão, milho e mandioca), em sua maioria pequenos. Munhoz criticou o "escancaramento das barreiras de forma impensada" e voltou a defender a majoração de alíquotas de importação. O ministro acredita que o Plano de Safra, a ser anunciado nos próximos dias, trará o aumento das alíquotas de algodão (de zero para 10%), do trigo (de 5% para 10%) e do arroz (de 10% para 15%). Ele disse não ver motivo algum para a manutenção das alíquotas atuais, já que a redução não provocou queda nos preços internos. O ministro assinou convênio entre o Ministério da Agricultura, o IBGE e o Instituto Interamericano de Cooperação para Agricultura, para melhorar tecnologicamente o sistema de acompanhamento de safras. Munhoz classificou como perverso o sistema de crédito agrícola e lembrou que a carga tributária sobre a agricultura é das maiores do mundo. O ministro defendeu também o crédito de US$500 milhões concedido pelo Banco do Brasil para plantio da cana-de-açúcar, dizendo que existe "um preconceito" contra essa cultura, que emprega mais de um milhão de pessoas em todo o país. O novo Plano de Safra deverá estar pronto entre os próximos dias 15 e 20. A reformulação do modelo agrícola atual, com aplicação prevista nesse plano, passa pela solução do estoque da dívida dos produtores até a revisão do crédito rural, baseado na equivalência ao preço do produto, entre outros pontos importantes, e terá como efeito imediato o aumento da produção de grãos para 85 milhões de toneladas (JB) (GM).