A venda de pelo menos parte do controle acionário da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) é, do ponto de vista das finanças públicas, o próximo passo mais óbvio do programa de privatização do governo brasileiro. O preço mínimo para a venda do controle da estatal deveria ser de US$88,7 por ação. Essas são as principais conclusões de uma análise sobre a Vale de autoria da LatInvest Securities Limited, uma instituição financeira de Londres (Inglaterra) especializada no mercado de ações dos países latino- americanos, principalmente o Brasil. A LatInvest baseia sua tese em quatro hipóteses: 1) não há obstáculos constitucionais à privatização, ao contrário da PETROBRÁS e ELETROBRÁS, que requerem um ato do Congresso para acabar com seus monopólios, apesar de serem necessárias algumas mudanças na lei de mineração; 2) as mudanças administrativas que foram implementadas desde 1990 deram à Vale um perfil de um grupo privado; 3) a Vale não tem problemas financeiros-- não tem grandes créditos junto ao governo nem tampouco dívidas com a União; e 4) a Vale não é uma grande contribuinte do Tesouro, por causa de muitas concessões fiscais. Segundo a LatInvest, as empresas siderúrgicas da Alemanha e do Japão são as mais fortes candidatas à compra da Vale (FSP).