O ministro do Trabalho, Walter Barelli, defende uma negociação mais ampla do que a simples modificação da atual política salarial, porque acredita que somente com uma proposta abrangente de política de rendas o país poderá melhorar, ao mesmo tempo, os salários, os preços e controlar a inflação. Para Barelli, deve haver uma negociação que inclua fixação de salários, lucros, preços de mercadorias, controle de juros e dividendos, taxa de câmbio e demais rendas do capital. A atual política de rendas do país, de acordo com o ministro, é injusta, desigual e desorganizada, o que prejudica os salários. Barelli comenta que 10% da população mais pobre do país tem uma participação de 0,8% na renda nacional, enquanto 1% dos mais ricos ganha 13,9% do bolo. "Há uma distribuição desigual da renda nacional e também da renda funcional, onde os salários têm pouca participação com relação aos ganhos de capital", diz. Em 1970, os salários representavam 50% da renda nacional e hoje valem menos do que 30% (O ESP).