BRASIL TERÁ 34 MILHÕES DE IDOSOS EM 32 ANOS

A população brasileira está envelhecendo rapidamente. Dentro de 32 anos o Brasil terá a sexta maior população idosa do mundo-- aproximadamente 34 milhões de habitantes com 60 anos ou mais-- sem que o país esteja preparado para dar a essas pessoas uma vida digna. A advertência é da socióloga Lizete Emília Prata, coordenadora do Projeto do Idoso e analista da Diretoria de Estudos Populacionais da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (SEADE), de São Paulo. Para a socióloga, os problemas enfrentados pelos atuais 10 milhões de idosos na Previdência Social e na Saúde poderão ser multiplicados por três se não forem adotadas novas políticas. Ela acredita que o aumento da porcentagem de idosos na população é explicado pelas quedas nos índices de fecundidade e de mortalidade, com a consequente ampliação da expectativa de vida. "A previsão é que o Brasil tenha, em 2025, 15% de população idosa, porcentagem semelhante à dos países europeus", diz a socióloga. Segundo dados da SEADE, a expectativa de vida ao nascer passou de 54,2 anos, em 1950, para 68,2 anos, em 1985. Além disso, a esperança de vida aos 60 anos elevou-se de 14,6 anos para 17,4 anos no mesmo período, indicando uma tendência de envelhecimento dentro do próprio grupo. Enquanto em 1950, pouco mais da metade da população (56,8%) alcançava os 60 anos, em 1985 esse percentual aumentou para 76,7%. O crescimento da porcentagem de idosos na população está sendo bem maior do que o previsto. As projeções indicavam um crescimento de 4,9% ao ano no período de 1980 a 2000 e que as pessoas com 60 anos ou mais representariam 7,2% da população total em 1990. O trabalho da SEADE mostra que a queda na taxa de fecundidade no Brasil a partir de 1960 é uma das mais elevadas do mundo. A taxa, que era de 4,69 filhos por mulher em 1960, caiu para 2,44 em 1990. A previsão é de que a tendência persista e que no período de 2020 a 2025 chegue a 2,2 filhos por mulher, próximo das menores taxas observadas no mundo (de 1,5 a 1,7) (JB).