JUIZ MANDA PRENDER SONEGADORES EM BRASÍLIA

O juiz Pedro Paulo Castelo Branco, da 10a. Vara da Justiça Federal em Brasília (DF), mandou prender ontem os irmãos Sulivan, Célio e Celso Covere, proprietários do grupo Santa Therezinha, um dos maiores atacadistas da região Centro-Oeste, e mais o contador da empresa, Antônio Sena Filho. O grupo é acusado de sonegar Cr$700 bilhões ao Imposto de Renda. Castelo Branco é o mesmo juiz que mandou prender Paulo César Farias, o PC, acusado de sonegar Cr$91 trilhões. A Receita Federal decidiu usar PC para desencadear uma operação de caça a grandes sonegadores. Assim como PC, os donos da Santa Therezinha não foram encontrados pela Polícia Federal. O ministro Ilmar Galvão, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou ontem liminar para a reclamação dos advogados de PC e outros três acusados de sonegação foragidos e manteve as prisões preventivas decretadas pelo juiz Castelo Branco. Galvão é relator do processo criminal contra o ex- presidente Fernando Collor, PC e outros sete acusados, que tramita no Supremo. A Receita Federal já começou a investigar o contribuinte e ex-presidente Fernando Collor. O processo foi aberto no início desta semana, nove meses depois do afastamento de Collor do cargo e de a Receita ter encerrado todas as investigações do "esquema PC". A quebra do sigilo bancário de Collor deverá ser uma das próximas providências que a Receita Federal vai adotar. O empresário Paulo César Farias, em comunicação ontem com a sua família, disse que estava "disposto a colaborar com a Justiça do país", desde que fosse atendido em algumas exigências que deveriam ser feitas ao governo federal. As principais imposições de PC são: 1) não queria que a sua apresentação fosse transformada em "espetáculo policial"; 2) recusaria constrangimentos como "algemas"; 3) não se entregaria ao diretor-geral da Polícia Federal, Amaury Galdino, por quem não possui menor respeito nem confiança. O delegado Paulo Lacerda, que coordena as investigações sobre o "esquema PC", informou que chegou a enviar à Polícia Federal cinco memorandos pedindo acompanhamento da movimentação do acusado (O ESP) (FSP) (JB).