Os cortes no Orçamento Geral da União deste ano vão poupar apenas os projetos assistenciais do governo: merenda escolar, distribuição de leite, assentamento de 20 mil famílias, manutenção de bolsas de estudos e créditos educativos. Foram cortados Cr$227,5 trilhões, com a previsão de um excesso de arrecadação líquida da ordem de Cr$530,2 trilhões. Para os CIACs em fase de construção e os CAICs que serão construídos, os cortes foram de Cr$72,43 bilhões. A Linha Vermelha (RJ) sofreu um corte de Cr$409,87 bilhões, ou 10% do total previsto, e os créditos a estados e municípios foram subtraídos em Cr$1,02 trilhão. O secretário de Orçamento Federal, Aurélio Nonô Valença, afirmou que o governo já está costurando com o Congresso Nacional um acordo para que a proposta orçamentária, enviada ontem ao Senado Federal, seja mantida e aprovada antes do recesso. Segundo ele, os parlamentares agora deverão definir se querem ou não remanejar os recursos orçamentários. Ele explicou que para conseguirem realizar obras de seu interesse, eles terão que negociar entre si a junção de dotações, elegendo, dentro das disponibilidades de recursos as que interessam igualmente todos. Os "caras-pintadas" decidiram voltar às ruas ainda este ano para protestar contra o corte de Cr$25 trilhões na Educação e para fazer oposição ao governo Itamar Franco. A estratégia da mobilização está sendo organizada no 43o. Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), aberto em Goiânia (GO) no último dia 29 e que vai até o próximo dia quatro. Derrubamos um presidente, agora vamos levantar a Educação é o grito de ordem do movimento (O Globo).