O irmão do empresário Paulo César Farias, deputado Augusto Farias (PSC- AL), disse ontem que PC "não irá se entregar". "Ele não dará o gosto à Polícia Federal de sair algemado de sua terra, dentro de um avião, com destino a Brasília", afirmou. Segundo o deputado, PC só aparecerá caso seus advogados consigam cassar a ordem de prisão da Justiça Federal. Os advogados de PC, Jorge Bandeira, Rosinete Melanias e Ricardo Campos entraram no Supremo Tribunal Federal (STF) com pedido para que todos os processos do "caso PC" em tramitação na Justiça Federal sejam remetidos ao STF. Com isso, a prisão preventiva de PC e dos demais seria anulada. O juiz Tourinho Neto, do Tribunal Regional Federal do Distrito Federal, rejeitou ontem habeas corpus para PC impetrado por uma empresária de Brasília. A facilidade com que PC escapou de ser preso provocou uma crise na Polícia Federal, encarregada de prendê-lo. O secretário nacional da PF, João Batista Campelo, criticou a atuação do diretor da instituição, Amaury Galdino, que é seu subordinado. Disse que quer explicações sobre o que chamou de cochilo dos policiais e garantiu que, se dependesse dele, a PF teria se mobilizado no país inteiro antes mesmo da decretação da prisão. Galdino respondeu que Campelo "está desinformado porque não tem feito polícia há muito tempo". A PF continua sem qualquer pista do paradeiro de PC e dos seus três cúmplices e ainda considera a hipótese de que ele tenha fugido para o exterior, provavelmente o Uruguai. O jornal uruguaio "El Dia" informa na edição de hoje que PC comprou uma mansão em Punta del Este. A PF vai investigar nomes citados em três agendas do argentino Jorge La Salvia, nas quais estão marcados compromissos com PC, empresários e políticos. La Salvia, empresário do ramo imobiliário, foi detido anteontem no aeroporto de Cumbica (SP), vindo de Punta del Este. Ele é suspeito de ter levado US$1 milhão para PC. O secretário da Receita Federal, Osiris de Azevedo Lopes Filho, disse que o pedido de prisão preventiva de PC e seus cúmplices é o primeiro de uma série contra pessoas e empresas acusadas de irregularidades no recolhimento de impostos e faz parte de um grande programa de combate à sonegação fiscal. O arrastão já está sendo preparado pela Receita e pela Procuradoria Geral da República e, de acordo com técnicos da Receita, atingirá 35 pessoas, responsáveis por 15 empresas (FSP) (O Globo) (JB) (O ESP).