O Brasil deu ontem uma significativa guinada no rumo das negociações para o estabelecimento de uma tarifa externa comum aos quatro países do MERCOSUL. Depois de insistir na necessidade de estipular uma lista única, a delegação brasileira flexibilizou sua postura, passando a aceitar que as listas tenham vigência apenas nos respectivos países. A partir dessa mudança, o Brasil se alinha com a posição defendida pelos outros três países do MERCOSUL, que pretendiam uma harmonização e não a uniformização da tarifa. Agora, caberá a cada governo elaborar suas próprias exceções, que serão discutidas até meados de outubro, quando serão levadas para análise dos respectivos ministros de Economia e posterior estudo, em dezembro, pelo conselho de ministros do MERCOSUL, do qual participam também os quatro presidentes. Outra importante mudança da diplomacia brasileira se deu também no âmbito das reuniões que estão ocorrendo, desde o último dia 28, em Assunção (Paraguai). O governo brasileiro propôs que para todos os produtos que tiverem alíquota entre zero e 20% não haja lista de exceções, permanecendo apenas a excepcionalidae para os produtos que estiverem entre 20% e 35%-- alíquota máxima já acordada dentro do MERCOSUL. Mesmo assim, as exceções teriam duração máxima de seis anos, com redução progressiva das tarifas. A lista de exceções deverá abranger cerca de 15% da pauta de exportações brasileiras (GM).