INTERVENÇÃO FEDERAL EM ALAGOAS

O Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH), do Ministério da Justiça, aprovou ontem a intervenção federal no Estado de Alagoas, que deverá ser pedida na próxima semana ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo procurador-geral da República, Aristides Junqueira. O CDDPH decidiu, também, autorizar o ministro da Justiça, Maurício Corrêa, a negociar com o governador Geraldo Bulhões (PRN) uma espécie de intervenção branca na Polícia Militar do estado, que passaria a ser comandada por um oficial do Exército. Ontem mesmo, o ministro fez a proposta ao governador, que ficou de dar uma resposta até amanhã. O CDDPH aprovou o relatório elaborado por uma comissão formada por representantes da ABI, OAB e Ministério Público Federal, que estiveram em Alagoas apurando as denúncias de participação de policiais militares e civis no crime organizado e em grupos de extermínio. Nos últimos dois anos, centenas de policiais militares e civis participaram direta ou indiretamente de diversos assassinatos. O relatório da comissão acusa o governador de conivente, e afirma que existe um clima de intranquilidade em todo o estado, onde o governo é omisso na questão da impunidade, sobretudo dos policiais. O relatório indica que em janeiro o índice de criminalidade no estado acusou 34 ocorrências. Em fevereiro, o número subiu para 82. Foram constatados atos de violência contra trabalhadores rurais e urbanos, crianças e adolescentes, mulheres, advogados, jornalistas e estudantes (JB).