HERBERT DE SOUZA COMENTA O "EMPRESÁRIO IDEAL"

Gostaria de ser empresário em um país que tivesse trabalhadores com
74660 renda suficiente para consumir os meus produtos; educação, para saber
74660 escolher bel; e saúde, para não haver absenteísmo ao trabalho, diz o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, secretário-executivo do IBASE, ao explicar a razão de sua confiança no engajamento do empresariado nacional na campanha de combate à fome e à miséria. Apesar do aspecto emergencial da campanha, ele acredita que esta não será mais um exemplo de assistencialismo sem consequências. "A princípio, estamos realmente preocupados em matar a fome dessas pessoas (32 milhões de indigentes), o que tem de ser feito imediatamente. Por isso, não temo o paternalismo, uma vez que se trata de retirar da miséria milhões de brasileiros. Mas já começamos a notar o interesse em promover mudanças estruturais na economia, pois evidentemente, não podemos nos ater apenas em distribuir alimentos. É preciso mudar o quadro social do país, com maior oferta de empregos e melhor tratamento da questão da propriedade da terra", explica. Um exemplo de avanço na campanha é a iniciativa da empresa de montagem de estrutura Mills, que propôs a realização de um programa de construção de moradias, com utilização de material de construção recusado pelo controle de qualidade dos grandes fornecedores. Empresários de outros setores também já manifestaram publicamente seu apoio à campanha contra a miséria, como a CNI, a Associação Brasileira de Agrobusiness, a Associação Comercial de Nova Iguaçu (RJ) e várias empresas estatais. "Recebemos várias propostas, mas, por enquanto, a ênfase tem sido por uma ação mais imediata de combate à fome, com distribuição de cestas básicas, ticketes refeição e sopões", relata Betinho. Até dos militares, diz, tem havido interesse em ajudar. Um convênio com a CEF permitirá a distribuição de agasalhos para a população de rua e já há um projeto também para integrar os menores carentes em atividades nas áreas próximas aos quartéis. "Os militares estão dispostos a entrar nesta guerra, por isso, tenho sido obrigado a rever meus conceitos, uma vez que não se pode recusar ajuda de ninguém", afirma (JC).