A CONTRAPROPOSTA SALARIAL DO GOVERNO

O governo já tem uma contraproposta para evitar que o projeto de reajuste mensal dos salários aprovado pela Câmara dos Deputados seja referendado pelo Senado Federal: ampliar a antecipação bimestral (aumentando de 60% para 80% a reposição da inflação do período) e manter o reajuste da atual política, que repõe 100% da inflação a cada quatro meses. O presidente Itamar Franco garantiu ontem que fará "tudo o que for possível" para elaborar um projeto de política salarial alternativo ao aprovado pela Câmara. Infelizmente, um reajuste mensal de salários e aposentadorias o governo não tem condições de cumprir", afirmou. O ministro do Trabalho, Walter Barelli, disse que o lucro dos empresários é que aumenta a inflação, e não o reajuste de salários. "O salário nunca é inflacionário. Mas como seu aumento significa maior distribuição de renda, os detentores de capital majoram seus preços porque são contra a redistribuição de renda", afirmou. Barelli está disposto a tentar um consenso entre empresários, trabalhadores, governo e senadores para a votação do reajuste mensal dos salários no Senado. Para o ministro, o ideal será um pacto: os empresários não repassam toda a inflação aos preços e pagam o que devem ao erário; o governo reduz gastos e oferece compensação tributária; e os trabalhadores aceitam recomposição parcial das perdas salariais (JB).