Cerca de dois mil visitantes nacionais e estrangeiros deverão participar no próximo dia 1o., em Rio Maria, de um fato inédito no sul do Pará: o julgamento de envolvidos em crime de encomenda por disputa de terras. Trata-se do caso Expedito Ribeiro de Souza, sindicalista morto no dia dois de fevereiro de 1991. Os acusados são o fazendeiro Jerônimo Alves Amorim, o gerente Francisco de Assis Sales, o "Grilo", e o pistoleiro José Serafim Sales, o "Barreirito". A defesa tenta hoje adiar o julgamento. Quer que o júri seja transferido para Xinguara, a 25 km de Rio Maria. A defesa diz que os jurados estão sofrendo pressões políticas. Há dúvidas sobre o comparecimento do fazendeiro Amorim. Ele não foi localizado em Goiânia (GO), onde mora. Os outros dois estão presos. "Grilo" é acusado de contratar "Barreirito" para matar o sindicalista. Expedito teria incentivado a ocupação da fazenda de Amorim. A Comissão Pastoral da Terra (CPT) registrou 170 mortes por conflitos de terra no sul paraense nos últimos 13 anos. A região está na área de maior tensão fundiária do país-- o Bico do Papagaio, integrada ainda pelo sul do Maranhão e norte do Tocantins. A principal prova material do crime é o talonário de cheques de "Grilo", no qual estavam anotados os nomes e os endereços de Expedito. Pelo serviço, o pistoleiro teria recebido na época Cr$200 mil, conforme confessou. Para o julgamento, virão representantes das embaixadas de Inglaterra e dos EUA e de entidades internacionais de defesa dos direitos humanos, como a Americas Watch e a Ordem dos Advogados da França (FSP) (JB).