Agressões sexuais, altos índices de mortalidade materna, exigências de atestado de esterilização, assassinatos acobertados pela tese da legítima defesa da honra, cerceamento ao controle do próprio corpo e de sua sexualidade. Eis algumas formas de violência sofridas pela mulher, e lembradas, não sem dor, pela diretora da ONG Cidadania, Estudos, Pesquisas, Informação e Ação (Cepia), Leila Linhares, na abertura do Forum Mulher e Cidadania, realizado recentemente pelo Conselho Estadual dos Direitos da Mulher do Rio de Janeiro (Cedim-RJ). Coordenado pela defensora pública Rosane Reis, da Comissão de Violência do Cedim-RJ, o painel "Mulher, Violência e Direitos Humanos" permitiu um espaço de reflexão e de novas perspectivas. O conceito de desenvolvimento foi revisitado pela cientista política Rosana Carrillo. "O modelo economicista é limitado e exclui, em sua concepção, uma proposta de desenvolvimento que tenha como meta a pessoa humana", comentou a assistente executiva do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem) e conselheira especial da ONU em direitos humanos. Para Carrillo, nenhum plano terá êxito se não combater a violência estrutural de sexo que exclui a participação da mulher. "Tal violência, típica da sociedade patriarcal, não se resolve com soluções individuais mas com políticas públicas de ações concretas", afirmou (JB).